Comgran 2019 fala sobre a necessidade do controle dos suídeos asselvajados, animais de vida livre que representam riscos sanitários para a cadeia produtiva pecuária, em especial a de suínos, além do risco de transmissão de zoonoses

O médico veterinário Fábio Nicory Costa Souza, da Universidade Federal da Bahia, apresentou neste sábado, no Comgran 2019, a palestra Suídeos asselvajados e suas relações com a disseminação de doenças infeciosas e zoonoses.
Souza fez uma contextualização histórica do tema, mostrando que os suídeos sempre representaram uma importante fonte de proteína animal para povos em todo o mundo. Existe uma antiga relação entre estes animais e os seres humanos nas sociedades primitivas ao longo da história, principalmente na Europa, Ásia e África. Segundo ele, as pessoas conviveram com suídeos em estado selvagem, necessitando das técnicas de caça para capturá-los. Em cada continente haviam um ou mais gêneros e diferentes espécies, embora a mais citada na literatura seja o Javali europeu, (Sus scrofa).
“A partir do Sus scrofa, iniciou-se o processo bastante antigo de domesticação. Embora fosse um animal primitivamente selvagem, assim que passou a ser criado em cativeiro, foi domesticado e gradativamente por séculos teve sua morfologia diferenciada do animal selvagem”, disse, lembrando que o suíno moderno evoluiu pelo processo de domesticação para atender as demandas dos mercados, em um processo contínuo de melhoramento genético.
Ainda que o Sus scrofa tenha sido domesticado na Europa, originando raças para exploração industrial, existem Javalis selvagens primitivos de vários gêneros e espécies na maioria dos continentes.
Quando foram introduzidos nas Américas para fins de caça e produção de carne exótica, não foi possível prever que se tornaria uma das piores espécies invasoras para os biomas das Américas. Uma vez libertos, passaram a procriar com suínos domesticados de vida livre, principalmente aqueles criados em sistema de subsistência ou em ambientes abertos. “Esse acasalamento gerou um híbrido conhecido como porco selvagem, ou javaporco, ou suíno asselvajado, que mescla características do porco doméstico mas que, nas condições selvagens readquiriu o comportamento mais agressivo, com mais resistência e força sendo capaz de viver em diversos ambientes”, falou Souza.
Estudos identificaram a presença destes “novos” animais em todo o Brasil, além de parte da América do Sul, das América Central e do Norte, por onde circulam livremente, convivendo com comunidades rurais, principalmente em áreas agrícolas e pecuárias. “Por se tratar de um animal que come de tudo, ele pode se tornar portador de inúmeras doenças, ou seja, animais com potencial para disseminação de agentes etiológicos, em alguns casos de caráter zoonótico, tornando-se um grande risco sanitário para animais domésticos de interesse zootécnico e para a saúde pública”, explicou.
O grande desafio no momento é envolver os setores ligados ao problema, como: (organizações de saúde, entidades e agências de defesa agropecuária, secretarias e órgãos de proteção e bem estar ambiental, universidades e ONGs) para convergir dentro de um plano que atenda a maior parte das demandas. No Brasil, as medidas de defesa sanitária animal seguem as orientações através das seguintes entidades: Organização Mundial de Saúde Animal – OIE, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA, Agências de Defesa Agropecuária dos Estados, Secretarias da Agricultura dos Estado e Municípios e Comitês Estaduais voltados a Sanidade dos suídeos. “Não podemos simplesmente declarar guerra aos suídeos, embora seja fundamental o controle da população destes animais pois os mesmos podem representar riscos sanitários para a cadeia produtiva e, consequentemente, econômicos, para o país”, concluiu.

Organização: MarkMesse

Conteúdo: Básica Comunicações

Fotos: Jean Pavão

 

Comgran 2019 fala sobre a necessidade do controle dos suídeos asselvajados, animais de vida livre que representam riscos sanitários para a cadeia produtiva pecuária, em especial a de suínos, além do risco de transmissão de zoonoses

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